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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

#Resenha | O Livro das Postas | Autor: Gareth Brown.


Um romance que os fãs de A biblioteca da meia-noite e A vida invisível de Addie LaRue vão amar.

Cassie Andrews leva uma vida simples em Nova York. Ela divide um apartamento com sua melhor amiga e tem um trabalho do qual gosta, em uma livraria. Mas, ainda assim, desde que perdeu o avô, ela sente que falta alguma coisa em sua vida tão pacata…

É quando um de seus clientes favoritos lhe deixa um livro incomum de presente, cheio de escritas estranhas, desenhos misteriosos e uma única frase como instrução na primeira página: Este é o Livro das Portas. Segure-o, e qualquer porta será todas as portas.

O que Cassie está prestes a descobrir é que o Livro das Portas é um livro mágico, que concede a quem o possui o incrível poder de ir e vir a todos os lugares possíveis, apenas ao visualizar o local em sua mente. E mal sabe ela que existem outros livros que podem ser tão incríveis quanto, assim como podem desencadear coisas terríveis se caírem nas mãos de pessoas erradas. Pessoas estas que agora estão atrás dela.

De repente, Cassie é confrontada pela violência e pelo perigo, e a única pessoa que parece poder ajudá-la é o misterioso Drummond Fox, um homem que aparenta saber quase tudo a respeito desses livros. Agora, unidos pelo mesmo objetivo de se manterem vivos, Cassie e Drummond vão precisar usar todo o tempo — e livros — a seu favor para derrotar alguém que quer reunir todos os livros mágicos para mergulhar o mundo no mais profundo sofrimento.


#Resenha | O Livro das Portas | Gareth Brown | Tradução: Luiza Marcondes | 384 páginas | Classificação: 16 anos | Nota: ⭐⭐⭐⭐☆ 

Se você pudesse abrir qualquer porta e chegar a qualquer lugar do mundo, para onde iria? Foi essa premissa que me conquistou logo nas primeiras páginas de O Livro das Portas, de Gareth Brown.

A história acompanha Cassie Andrews, uma jovem que leva uma vida comum até receber um misterioso livro capaz de transformar qualquer porta em um portal para qualquer destino. O que parece um presente extraordinário logo revela um universo muito maior, repleto de livros mágicos, segredos e pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para colocar as mãos nesses artefatos.

O grande destaque da leitura, para mim, foi justamente esse sistema de magia. Cada livro possui um poder único, e descobrir suas habilidades foi uma das partes mais divertidas da história. A ideia de viajar pelo mundo através das portas é fascinante e desperta aquela vontade de imaginar quais lugares nós mesmos visitaríamos se tivéssemos um livro como esse.

Cassie também me surpreendeu positivamente. Ela cresce ao longo da narrativa e deixa de ser apenas uma espectadora dos acontecimentos para assumir um papel cada vez mais importante na própria história. Outro personagem que conquistou meu coração foi Drummond Fox. Carismático, misterioso e sempre um passo à frente, ele trouxe ainda mais charme para a trama.

O ritmo é outro ponto forte. A narrativa prende com facilidade e cada descoberta desperta a curiosidade para a próxima. No entanto, quando a história mergulha nas viagens no tempo, confesso que precisei redobrar a atenção. Alguns acontecimentos deram um verdadeiro nó na minha cabeça e, em certos momentos, senti que acompanhar todas as conexões foi mais desafiador do que eu gostaria.

Ainda assim, terminei a leitura bastante satisfeita. O Livro das Portas combina fantasia, mistério e aventura de forma envolvente, apresentando um universo criativo e cheio de possibilidades. É o tipo de livro que faz a gente imaginar quantas histórias ainda podem existir escondidas entre as páginas de um simples livro... ou atrás de uma porta qualquer.



quinta-feira, 30 de julho de 2026

#Resenha | A Deusa em Chamas | Autora: R.F. Kuang.

Na conclusão da aclamada série A Guerra da Papoula, Rin volta às suas raízes e marcha em direção a um destino brutal e implacável.

Ao sair de Tikany para estudar em Sinegard, a academia militar mais prestigiada do então império, Rin não olhou para trás. No entanto, após salvar a nação de invasores estrangeiros, lutar em uma guerra civil atroz e ser traída por seus maiores aliados, ela percebe que todos os caminhos a levam de volta para o lugar em que cresceu, nas províncias do sul de Nikan.

Rin sabe que é nesse lugar pobre, esquecido pelos governantes e devastado por guerras que reside o verdadeiro poder: nas milhões de pessoas comuns sedentas por vingança e que a veneram como se fosse uma deusa da salvação. À frente da frágil Coalizão do Sul, Rin comanda um exército de famintos e miseráveis que não medirá esforços para aniquilar a República do Dragão, os colonizadores hesperianos e qualquer um que ameace as artes xamânicas e seus praticantes.

Conforme seu poder e sua influência crescem, Rin será forte o suficiente para resistir aos sussurros cada vez mais insistentes da Fênix, ordenando que ela queime o mundo e tudo que há nele?

Como encerrar uma história marcada pela guerra, pela ambição e pelas consequências das próprias escolhas? Essa foi a pergunta que me acompanhou durante toda a leitura de A Deusa em Chamas, terceiro e último volume da trilogia A Guerra da Papoula. Infelizmente, terminei o livro com a sensação de que a história andou bastante, mas não chegou exatamente a lugar nenhum.

Depois de tudo o que viveu nos volumes anteriores, Rin retorna às suas origens para liderar um povo devastado pela guerra enquanto enfrenta novos inimigos e o peso crescente do poder que carrega. R. F. Kuang continua explorando temas como colonialismo, fanatismo, poder e identidade com a mesma crueza que tornou a série tão marcante, construindo um mundo político complexo e moralmente cinzento.

No entanto, o que mais me incomodou foi a jornada de Rin. Eu esperava que todas as perdas, traições e sacrifícios dos livros anteriores resultassem em algum amadurecimento, mas senti que ela permaneceu presa ao mesmo ciclo. A protagonista continua tomando decisões impulsivas, insistindo nos mesmos erros e colecionando consequências que pareciam previsíveis. Rin continua sendo uma personagem fascinante justamente por suas contradições, mas, para mim, sua evolução ficou aquém do que a trilogia prometia.

Outro ponto que me decepcionou foi a resolução de alguns conflitos importantes. Depois de toda a construção em torno de certas ameaças ao longo da série, eu esperava confrontos memoráveis e emocionalmente impactantes. Em vez disso, algumas resoluções aconteceram de forma simples demais, sem o peso que eu imaginava para momentos tão aguardados.

Ainda assim, admiro a coragem de R. F. Kuang em manter sua proposta até o fim. A Deusa em Chamas não tenta oferecer um desfecho confortável nem romantizar a guerra. Pelo contrário, reforça que conflitos deixam cicatrizes profundas e que nem sempre existe espaço para heróis ou finais felizes.

No fim das contas, fechei o livro mais admirando a ambição da autora do que satisfeita com a conclusão. É uma trilogia que certamente vai permanecer na minha memória pela riqueza do mundo, pelos debates que provoca e pela complexidade de seus personagens, mesmo que o último volume não tenha entregado o impacto emocional que eu esperava.

E você Viajante, já leu a trilogia de A Guerra da Papoula?
Gostou do final que a autora deu para Rin e cia?
Me conte nos comentários, vou adorar saber.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

#Resenha | A Ordem dos Mantos Prateados | Autora: L. K. Steven.

 

Duas décadas atrás, os Luas de Sangue assassinaram os pais de Saffron, e arruinaram sua infância. Desde então, ela vive movida pela vingança.

Para chegar até os inimigos, ela forjou uma mentira que lhe garantiu um lugar na lendária Academia dos Mantos Prateados, onde detetives mágicos de elite são moldados para caçar e destruir os piores criminosos do reino.

Mas, na véspera de se formar, sua farsa é descoberta. Agora, há apenas uma saída: infiltrar-se nos Luas de Sangue e fazê-los ruir a partir de dentro. Para manter o disfarce, Saff será obrigada a cometer atrocidades que jamais imaginou, enfrentando gangues rivais e redes de contrabando, tudo isso sob o risco de tornar-se próxima demais do atormentado filho do líder inimigo. Como se não bastasse, uma profecia anuncia que esse homem morrerá… pelas mãos dela. Quanto mais mente, mais Saff se afasta de si mesma. E quando um único deslize é capaz de destruir tudo e todos com quem se importa, só existe uma pergunta inevitável: o que será dela quando restar apenas a vingança?




Aos seis anos, Saffron ouviu os pais serem assassinados pelos Luas de Sangue. Desde então, carrega não apenas o trauma daquela noite, mas também a culpa pela morte da mãe, acreditando ter contribuído para o que aconteceu ao girar a maçaneta da porta do cômodo onde estava escondida. Anos depois, já adulta, Saff integra a Academia dos Mantos Prateados, uma instituição onde a magia é usada para caçar e punir os criminosos mais perigosos do reino. Movida pela vingança, ela vê a chance perfeita de se aproximar de seus inimigos quando é descoberta mentindo sobre seus poderes e recebe uma escolha cruel: infiltrar-se nos Luas de Sangue e servir como informante ou ser presa e cair em desgraça. Ela, é claro, escolhe a infiltração — ainda mais depois de ter uma visão envolvendo um misterioso membro da organização.

Uma vez dentro dos Luas de Sangue, Saffron conhece Levan, filho do líder do grupo e responsável por mantê-la sob vigilância. Conforme a missão avança, ela começa a descobrir mais sobre o próprio passado e sobre seus poderes, mas cada resposta parece trazer perguntas ainda maiores.

A Ordem dos Mantos Prateados tem uma premissa muito interessante, e alguns elementos da trama realmente chamam atenção, como a motivação do líder dos Luas de Sangue e a existência de um informante infiltrado entre os Mantos Prateados. O problema, para mim, está na condução da narrativa: há muitas conveniências de roteiro, e a “sorte” de Saffron quase sempre favorece a protagonista, o que tira parte da tensão e enfraquece o impacto de certas situações.

O romance entre Saffron e Levan também não me convenceu. A relação entre os dois se desenvolve rápido demais e sem uma base forte o suficiente para sustentar a intensidade que a história tenta atribuir a ela. Faltou construção, conexão e até um motivo mais consistente para esse envolvimento acontecer.

Ainda assim, o último capítulo entrega um ritmo frenético e deixa um gancho forte para a continuação — principalmente pela possibilidade de acompanhar mais do ponto de vista de Levan, o que, para mim, foi um dos elementos que mais despertou curiosidade para o próximo volume.

E você, Viajante, já leu A Ordem dos Mantos Prateados? Me conta o que achou — vou adorar saber sua opinião.