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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

#Resenha | Academia Arcana | Autora: Elise Kova.

Clara sobreviveu ao submundo da Cidade do Eclipse contando com a sorte e uma boa dose de magia proibida. Mas, depois que um trabalho dá errado, ela é condenada à prisão por desenhar cartas de tarô – uma habilidade rara, reservada apenas aos membros da Academia Arcana. 

Quando tudo parece perdido, o príncipe Kaelis, o enigmático diretor da Academia, oferece uma saída à garota... por um preço. Kaelis acredita que ela seja a ferramenta perfeita para ajudá-lo a roubar uma carta de tarô do rei e usá-la para recriar a poderosa e mítica carta do Mundo.

Para esconder sua verdadeira identidade e mantê-la por perto, Kaelis apresenta Clara como iniciada na Academia – e sua noiva.

Lançada em um mundo de magia arcana e intrigas palacianas em que um passo em falso pode mandá-la de volta à prisão e até matá-la, Clara descobre que o príncipe que ela jurou odiar talvez não seja quem parece. Mas será que ela pode arriscar dar a ele poder sobre o mundo – e sobre seu coração? Ou tomará esse poder para si?


#Resenha| Academia Arcana | Elise Kova | Tradução: Isadora Próspero | 544 páginas | Classificação 16 anos | Nota: 3,5.

Há livros que conquistam pela originalidade da ideia, e este foi exatamente o meu caso. A proposta de um sistema de magia baseado em cartas de tarô foi o que mais despertou minha curiosidade desde as primeiras páginas e, felizmente, também foi o aspecto que mais gostei da leitura.

A história acompanha Clara, uma jovem que sobrevive usando magia proibida até que um erro a leva à prisão. Quando tudo parece perdido, o misterioso príncipe Kaelis lhe oferece uma saída: em troca de sua ajuda em uma missão perigosa, ele a leva para a Academia Arcana e a esconde à vista de todos, apresentando-a como uma nova iniciada e sua noiva. É nesse cenário de intrigas políticas, segredos e magia que a trama começa a ganhar força.

O grande destaque do livro, para mim, está na construção da magia baseada nos arcanos do tarô. A autora criou um sistema criativo, instigante e cheio de possibilidades. A cada nova descoberta, eu só queria entender mais sobre esse universo e conhecer melhor o funcionamento das cartas. Fiquei com a sensação de que ainda existe muito desse mundo a ser explorado, o que me deixou bastante curiosa para os próximos volumes.

O ritmo também funciona muito bem. A narrativa é fluida, os acontecimentos mantêm o interesse e a leitura avança com facilidade. Foi aquele tipo de livro que me fez querer continuar lendo para descobrir como todas as peças se encaixariam.

Por outro lado, alguns personagens não me conquistaram da mesma forma. Clara, infelizmente, não me convenceu como protagonista. Em vários momentos senti que algumas situações se resolviam mais por conveniência do roteiro do que pelas próprias escolhas dela, o que enfraqueceu um pouco sua jornada. Já Kaelis foi uma grata surpresa. Apesar da fama de príncipe frio e perigoso, ele demonstra um lado muito mais vulnerável do que eu esperava. Só achei que, em alguns momentos, ele confia em Clara rápido demais para alguém que passou tanto tempo cercado de conspirações.

O romance segue um caminho bastante previsível e, para mim, poderia ter sido desenvolvido com mais calma. Ainda assim, isso não prejudicou a experiência como um todo.

No fim, terminei a leitura mais interessada no potencial da série do que propriamente nas respostas deste primeiro volume. É um livro que apresenta um universo promissor, um sistema de magia muito criativo e deixa várias portas abertas para a continuação. Saí curiosa para descobrir até onde a autora pretende levar essa história.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

#Resenha | O Livro das Postas | Autor: Gareth Brown.


Um romance que os fãs de A biblioteca da meia-noite e A vida invisível de Addie LaRue vão amar.

Cassie Andrews leva uma vida simples em Nova York. Ela divide um apartamento com sua melhor amiga e tem um trabalho do qual gosta, em uma livraria. Mas, ainda assim, desde que perdeu o avô, ela sente que falta alguma coisa em sua vida tão pacata…

É quando um de seus clientes favoritos lhe deixa um livro incomum de presente, cheio de escritas estranhas, desenhos misteriosos e uma única frase como instrução na primeira página: Este é o Livro das Portas. Segure-o, e qualquer porta será todas as portas.

O que Cassie está prestes a descobrir é que o Livro das Portas é um livro mágico, que concede a quem o possui o incrível poder de ir e vir a todos os lugares possíveis, apenas ao visualizar o local em sua mente. E mal sabe ela que existem outros livros que podem ser tão incríveis quanto, assim como podem desencadear coisas terríveis se caírem nas mãos de pessoas erradas. Pessoas estas que agora estão atrás dela.

De repente, Cassie é confrontada pela violência e pelo perigo, e a única pessoa que parece poder ajudá-la é o misterioso Drummond Fox, um homem que aparenta saber quase tudo a respeito desses livros. Agora, unidos pelo mesmo objetivo de se manterem vivos, Cassie e Drummond vão precisar usar todo o tempo — e livros — a seu favor para derrotar alguém que quer reunir todos os livros mágicos para mergulhar o mundo no mais profundo sofrimento.


#Resenha | O Livro das Portas | Gareth Brown | Tradução: Luiza Marcondes | 384 páginas | Classificação: 16 anos | Nota: ⭐⭐⭐⭐☆ 

Se você pudesse abrir qualquer porta e chegar a qualquer lugar do mundo, para onde iria? Foi essa premissa que me conquistou logo nas primeiras páginas de O Livro das Portas, de Gareth Brown.

A história acompanha Cassie Andrews, uma jovem que leva uma vida comum até receber um misterioso livro capaz de transformar qualquer porta em um portal para qualquer destino. O que parece um presente extraordinário logo revela um universo muito maior, repleto de livros mágicos, segredos e pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para colocar as mãos nesses artefatos.

O grande destaque da leitura, para mim, foi justamente esse sistema de magia. Cada livro possui um poder único, e descobrir suas habilidades foi uma das partes mais divertidas da história. A ideia de viajar pelo mundo através das portas é fascinante e desperta aquela vontade de imaginar quais lugares nós mesmos visitaríamos se tivéssemos um livro como esse.

Cassie também me surpreendeu positivamente. Ela cresce ao longo da narrativa e deixa de ser apenas uma espectadora dos acontecimentos para assumir um papel cada vez mais importante na própria história. Outro personagem que conquistou meu coração foi Drummond Fox. Carismático, misterioso e sempre um passo à frente, ele trouxe ainda mais charme para a trama.

O ritmo é outro ponto forte. A narrativa prende com facilidade e cada descoberta desperta a curiosidade para a próxima. No entanto, quando a história mergulha nas viagens no tempo, confesso que precisei redobrar a atenção. Alguns acontecimentos deram um verdadeiro nó na minha cabeça e, em certos momentos, senti que acompanhar todas as conexões foi mais desafiador do que eu gostaria.

Ainda assim, terminei a leitura bastante satisfeita. O Livro das Portas combina fantasia, mistério e aventura de forma envolvente, apresentando um universo criativo e cheio de possibilidades. É o tipo de livro que faz a gente imaginar quantas histórias ainda podem existir escondidas entre as páginas de um simples livro... ou atrás de uma porta qualquer.

E você Viajante, já leu O Livro das Portas?
Deixe nos comentários sua opinião sobre o livro, vou adorar saber!


quinta-feira, 30 de julho de 2026

#Resenha | A Deusa em Chamas | Autora: R.F. Kuang.

Na conclusão da aclamada série A Guerra da Papoula, Rin volta às suas raízes e marcha em direção a um destino brutal e implacável.

Ao sair de Tikany para estudar em Sinegard, a academia militar mais prestigiada do então império, Rin não olhou para trás. No entanto, após salvar a nação de invasores estrangeiros, lutar em uma guerra civil atroz e ser traída por seus maiores aliados, ela percebe que todos os caminhos a levam de volta para o lugar em que cresceu, nas províncias do sul de Nikan.

Rin sabe que é nesse lugar pobre, esquecido pelos governantes e devastado por guerras que reside o verdadeiro poder: nas milhões de pessoas comuns sedentas por vingança e que a veneram como se fosse uma deusa da salvação. À frente da frágil Coalizão do Sul, Rin comanda um exército de famintos e miseráveis que não medirá esforços para aniquilar a República do Dragão, os colonizadores hesperianos e qualquer um que ameace as artes xamânicas e seus praticantes.

Conforme seu poder e sua influência crescem, Rin será forte o suficiente para resistir aos sussurros cada vez mais insistentes da Fênix, ordenando que ela queime o mundo e tudo que há nele?

Como encerrar uma história marcada pela guerra, pela ambição e pelas consequências das próprias escolhas? Essa foi a pergunta que me acompanhou durante toda a leitura de A Deusa em Chamas, terceiro e último volume da trilogia A Guerra da Papoula. Infelizmente, terminei o livro com a sensação de que a história andou bastante, mas não chegou exatamente a lugar nenhum.

Depois de tudo o que viveu nos volumes anteriores, Rin retorna às suas origens para liderar um povo devastado pela guerra enquanto enfrenta novos inimigos e o peso crescente do poder que carrega. R. F. Kuang continua explorando temas como colonialismo, fanatismo, poder e identidade com a mesma crueza que tornou a série tão marcante, construindo um mundo político complexo e moralmente cinzento.

No entanto, o que mais me incomodou foi a jornada de Rin. Eu esperava que todas as perdas, traições e sacrifícios dos livros anteriores resultassem em algum amadurecimento, mas senti que ela permaneceu presa ao mesmo ciclo. A protagonista continua tomando decisões impulsivas, insistindo nos mesmos erros e colecionando consequências que pareciam previsíveis. Rin continua sendo uma personagem fascinante justamente por suas contradições, mas, para mim, sua evolução ficou aquém do que a trilogia prometia.

Outro ponto que me decepcionou foi a resolução de alguns conflitos importantes. Depois de toda a construção em torno de certas ameaças ao longo da série, eu esperava confrontos memoráveis e emocionalmente impactantes. Em vez disso, algumas resoluções aconteceram de forma simples demais, sem o peso que eu imaginava para momentos tão aguardados.

Ainda assim, admiro a coragem de R. F. Kuang em manter sua proposta até o fim. A Deusa em Chamas não tenta oferecer um desfecho confortável nem romantizar a guerra. Pelo contrário, reforça que conflitos deixam cicatrizes profundas e que nem sempre existe espaço para heróis ou finais felizes.

No fim das contas, fechei o livro mais admirando a ambição da autora do que satisfeita com a conclusão. É uma trilogia que certamente vai permanecer na minha memória pela riqueza do mundo, pelos debates que provoca e pela complexidade de seus personagens, mesmo que o último volume não tenha entregado o impacto emocional que eu esperava.

E você Viajante, já leu a trilogia de A Guerra da Papoula?
Gostou do final que a autora deu para Rin e cia?
Me conte nos comentários, vou adorar saber.