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quarta-feira, 24 de junho de 2026

#Resenha | A Ordem dos Mantos Prateados | Autora: L. K. Steven.

 

Duas décadas atrás, os Luas de Sangue assassinaram os pais de Saffron, e arruinaram sua infância. Desde então, ela vive movida pela vingança.

Para chegar até os inimigos, ela forjou uma mentira que lhe garantiu um lugar na lendária Academia dos Mantos Prateados, onde detetives mágicos de elite são moldados para caçar e destruir os piores criminosos do reino.

Mas, na véspera de se formar, sua farsa é descoberta. Agora, há apenas uma saída: infiltrar-se nos Luas de Sangue e fazê-los ruir a partir de dentro. Para manter o disfarce, Saff será obrigada a cometer atrocidades que jamais imaginou, enfrentando gangues rivais e redes de contrabando, tudo isso sob o risco de tornar-se próxima demais do atormentado filho do líder inimigo. Como se não bastasse, uma profecia anuncia que esse homem morrerá… pelas mãos dela. Quanto mais mente, mais Saff se afasta de si mesma. E quando um único deslize é capaz de destruir tudo e todos com quem se importa, só existe uma pergunta inevitável: o que será dela quando restar apenas a vingança?




Aos seis anos, Saffron ouviu os pais serem assassinados pelos Luas de Sangue. Desde então, carrega não apenas o trauma daquela noite, mas também a culpa pela morte da mãe, acreditando ter contribuído para o que aconteceu ao girar a maçaneta da porta do cômodo onde estava escondida. Anos depois, já adulta, Saff integra a Academia dos Mantos Prateados, uma instituição onde a magia é usada para caçar e punir os criminosos mais perigosos do reino. Movida pela vingança, ela vê a chance perfeita de se aproximar de seus inimigos quando é descoberta mentindo sobre seus poderes e recebe uma escolha cruel: infiltrar-se nos Luas de Sangue e servir como informante ou ser presa e cair em desgraça. Ela, é claro, escolhe a infiltração — ainda mais depois de ter uma visão envolvendo um misterioso membro da organização.

Uma vez dentro dos Luas de Sangue, Saffron conhece Levan, filho do líder do grupo e responsável por mantê-la sob vigilância. Conforme a missão avança, ela começa a descobrir mais sobre o próprio passado e sobre seus poderes, mas cada resposta parece trazer perguntas ainda maiores.

A Ordem dos Mantos Prateados tem uma premissa muito interessante, e alguns elementos da trama realmente chamam atenção, como a motivação do líder dos Luas de Sangue e a existência de um informante infiltrado entre os Mantos Prateados. O problema, para mim, está na condução da narrativa: há muitas conveniências de roteiro, e a “sorte” de Saffron quase sempre favorece a protagonista, o que tira parte da tensão e enfraquece o impacto de certas situações.

O romance entre Saffron e Levan também não me convenceu. A relação entre os dois se desenvolve rápido demais e sem uma base forte o suficiente para sustentar a intensidade que a história tenta atribuir a ela. Faltou construção, conexão e até um motivo mais consistente para esse envolvimento acontecer.

Ainda assim, o último capítulo entrega um ritmo frenético e deixa um gancho forte para a continuação — principalmente pela possibilidade de acompanhar mais do ponto de vista de Levan, o que, para mim, foi um dos elementos que mais despertou curiosidade para o próximo volume.

E você, Viajante, já leu A Ordem dos Mantos Prateados? Me conta o que achou — vou adorar saber sua opinião.







quarta-feira, 20 de maio de 2026

#Resenha | A Republica do Dragão | Autora: R.F. Kuang.


Sinopse: No Império Nikara, a guerra é o início e o fim de tudo, e a paz é apenas uma ilusão. A vitória na Terceira Guerra da Papoula foi garantida e o inimigo foi derrotado, mas as doze províncias estão afundadas em miséria, matança e destruição, prontas para retomar antigas rivalidades em conflitos locais por poder. A nação pode ruir a qualquer momento, e a esperança de salvá-la reside, mais uma vez, em uma única pessoa: Fang Runin.

Rin. A guerreira que salvou o Império. Que cometeu atrocidades inimagináveis. Que usou seus poderes xamânicos para varrer a Federação de Mugen do mapa. À noite, os gritos de suas vítimas não a deixam dormir. Para aliviar a culpa sufocante que sente e deter o fogo e a fúria da Fênix dentro de si, ela se entrega ao vício em ópio.

Embora não veja mais sentido em viver, Rin se recusa a morrer antes de se vingar da Imperatriz, a mulher que traiu a nação. Para isso, a jovem une forças com o poderoso líder da Província do Dragão, que planeja conquistar o Império, depor a governante e criar uma nova república.

Em meio a maquinações políticas, negociações militares e conspirações, Rin não sabe em quem confiar, mas tem certeza de que uma nova guerra se anuncia. E, dessa vez, a Fênix terá uma oponente à altura.

No segundo volume da trilogia best-seller A Guerra da Papoula, R.F. Kuang mostra novamente por que se tornou um dos nomes mais importantes da fantasia atual, trazendo elementos da história militar chinesa em uma trama sombria e incendiária sobre poder, loucura e as consequências devastadoras da guerra.




A República do Dragão | Autora: R.F. Kuang | Tradução: Helen Pandolfi e Karine Ribeiro | Editora: Intrínseca | Páginas: 640 | Classificação: +18

A vitória na Terceira Guerra da Papoula não trouxe paz, apenas cinzas. Em A República do Dragão, encontramos uma Fang Runin devastada pela culpa e pelo vício em ópio, tentando sobreviver enquanto busca vingança contra a Imperatriz que a traiu.

A trama começa com Rin trabalhando para a Rainha dos Piratas em troca de um exército — uma aliança que logo se revela uma armadilha. Capturada por seu antigo rival, Nezha, ela é levada à Província do Dragão. Lá, Rin se deixa seduzir pelas promessas de Vaisra, pai de Nezha, que planeja um levante para instaurar uma república. Mas, nesse jogo político, a lealdade é uma moeda barata e nada é o que parece.

Preciso ser sincera com vocês, Viajantes: a Rin continua sendo a mesma personagem cabeça dura, impulsiva e, muitas vezes, imatura. É frustrante ver como ela parece não ter aprendido nada com os erros catastróficos do passado. Mesmo tendo ao seu lado o Kitay — que é a personificação da razão e do equilíbrio —, ela se recusa a ouvir quem realmente se importa com ela.

Outro ponto que me deixou com um sabor amargo foi o Cike. Um esquadrão com tanto potencial, com personagens tão intrigantes, mas que sinto ter sido desperdiçado de forma leviana na narrativa. Esperava muito mais entrega de uma unidade de elite tão poderosa.

R.F. Kuang continua entregando uma história visceral sobre os horrores da guerra e as maquinações políticas, mas este volume foca muito mais na desconstrução (e autodestruição) da nossa protagonista. Uma leitura densa, necessária para quem quer terminar a trilogia, mas que exige paciência com as escolhas de Rin.

E você, Viajante? Já sentiu vontade de entrar no livro e dar um "chacoalhão" na protagonista para ela acordar para a vida? Me conta nos comentários! 👇

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Resenha | Silêncio - Richelle Mead


Silêncio | Autora: Richelle Mead | Tradução: Guilherme Miranda | Editora: Intrínseca | Páginas: 288 | Classificação: +14

SinopseUm romance de fantasia e aventura da mesma autora de Vampire Academy. Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo ― todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.



 
Imagine viver em um mundo onde o silêncio é a única regra. Na vila de Fei, a comunicação acontece por gestos e pinturas, e a sobrevivência depende do trabalho exaustivo nas minas. Aqui, todos são surdos — uma condição que moldou a cultura e o sistema de castas desse povo.

Fei é uma artista responsável por registrar a história de sua vila através da arte. É em meio a essa rotina de silêncio que o impossível acontece: ela acorda e descobre que pode ouvir. Mas, antes mesmo de entender essa nova realidade, uma crise terrível se abate sobre sua vida: além da surdez, as pessoas começaram a perder também a visão. Ao ver que sua própria irmã é uma das afetadas, Fei percebe que não pode mais ficar parada.

O som, antes um conceito inexistente, torna-se sua maior ferramenta. Ao lado de Li Wei, um minerador e amigo de infância, ela decide desrespeitar as leis e descer a montanha para descobrir por que os suprimentos de comida estão escassos.

O que eles encontram no vale de Beiguo é uma verdade amarga sobre ganância e controle. A jornada de Fei deixa de ser apenas sobre sobrevivência e passa a ser sobre revolução. Ela descobre que o verdadeiro inimigo não é a perda dos sentidos, mas quem se aproveita da vulnerabilidade de um povo para mantê-lo escravizado.

A narrativa de Richelle Mead tem um ritmo mais lento, focando na construção desse mundo sensorial e nas emoções da protagonista, mas não chega a ser maçante. Pelo contrário, a escrita nos envolve na descoberta de Fei sobre o vale de Beiguo e a verdade amarga sobre a ganância do Rei local.
É uma fantasia sensível sobre descobrir a própria voz — literalmente — e entender que o verdadeiro inimigo não é a perda dos sentidos, mas quem se aproveita do silêncio de um povo para mantê-lo sob controle.
 
E você, Viajante, já leu algum livro com um ritmo mais calmo que te conquistou pela profundidade? Me conta aqui nos comentários! 👇