Como encerrar uma história marcada pela guerra, pela ambição e pelas consequências das próprias escolhas? Essa foi a pergunta que me acompanhou durante toda a leitura de A Deusa em Chamas, terceiro e último volume da trilogia A Guerra da Papoula. Infelizmente, terminei o livro com a sensação de que a história andou bastante, mas não chegou exatamente a lugar nenhum.
Depois de tudo o que viveu nos volumes anteriores, Rin retorna às suas origens para liderar um povo devastado pela guerra enquanto enfrenta novos inimigos e o peso crescente do poder que carrega. R. F. Kuang continua explorando temas como colonialismo, fanatismo, poder e identidade com a mesma crueza que tornou a série tão marcante, construindo um mundo político complexo e moralmente cinzento.
No entanto, o que mais me incomodou foi a jornada de Rin. Eu esperava que todas as perdas, traições e sacrifícios dos livros anteriores resultassem em algum amadurecimento, mas senti que ela permaneceu presa ao mesmo ciclo. A protagonista continua tomando decisões impulsivas, insistindo nos mesmos erros e colecionando consequências que pareciam previsíveis. Rin continua sendo uma personagem fascinante justamente por suas contradições, mas, para mim, sua evolução ficou aquém do que a trilogia prometia.
Outro ponto que me decepcionou foi a resolução de alguns conflitos importantes. Depois de toda a construção em torno de certas ameaças ao longo da série, eu esperava confrontos memoráveis e emocionalmente impactantes. Em vez disso, algumas resoluções aconteceram de forma simples demais, sem o peso que eu imaginava para momentos tão aguardados.
Ainda assim, admiro a coragem de R. F. Kuang em manter sua proposta até o fim. A Deusa em Chamas não tenta oferecer um desfecho confortável nem romantizar a guerra. Pelo contrário, reforça que conflitos deixam cicatrizes profundas e que nem sempre existe espaço para heróis ou finais felizes.
No fim das contas, fechei o livro mais admirando a ambição da autora do que satisfeita com a conclusão. É uma trilogia que certamente vai permanecer na minha memória pela riqueza do mundo, pelos debates que provoca e pela complexidade de seus personagens, mesmo que o último volume não tenha entregado o impacto emocional que eu esperava.
E você Viajante, já leu a trilogia de A Guerra da Papoula?
Gostou do final que a autora deu para Rin e cia?
Me conte nos comentários, vou adorar saber.
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