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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Resenha | Silêncio - Richelle Mead


Silêncio | Autora: Richelle Mead | Tradução: Guilherme Miranda | Editora: Intrínseca | Páginas: 288 | Classificação: +14

SinopseUm romance de fantasia e aventura da mesma autora de Vampire Academy. Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo ― todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.



 
Imagine viver em um mundo onde o silêncio é a única regra. Na vila de Fei, a comunicação acontece por gestos e pinturas, e a sobrevivência depende do trabalho exaustivo nas minas. Aqui, todos são surdos — uma condição que moldou a cultura e o sistema de castas desse povo.

Fei é uma artista responsável por registrar a história de sua vila através da arte. É em meio a essa rotina de silêncio que o impossível acontece: ela acorda e descobre que pode ouvir. Mas, antes mesmo de entender essa nova realidade, uma crise terrível se abate sobre sua vida: além da surdez, as pessoas começaram a perder também a visão. Ao ver que sua própria irmã é uma das afetadas, Fei percebe que não pode mais ficar parada.

O som, antes um conceito inexistente, torna-se sua maior ferramenta. Ao lado de Li Wei, um minerador e amigo de infância, ela decide desrespeitar as leis e descer a montanha para descobrir por que os suprimentos de comida estão escassos.

O que eles encontram no vale de Beiguo é uma verdade amarga sobre ganância e controle. A jornada de Fei deixa de ser apenas sobre sobrevivência e passa a ser sobre revolução. Ela descobre que o verdadeiro inimigo não é a perda dos sentidos, mas quem se aproveita da vulnerabilidade de um povo para mantê-lo escravizado.

A narrativa de Richelle Mead tem um ritmo mais lento, focando na construção desse mundo sensorial e nas emoções da protagonista, mas não chega a ser maçante. Pelo contrário, a escrita nos envolve na descoberta de Fei sobre o vale de Beiguo e a verdade amarga sobre a ganância do Rei local.
É uma fantasia sensível sobre descobrir a própria voz — literalmente — e entender que o verdadeiro inimigo não é a perda dos sentidos, mas quem se aproveita do silêncio de um povo para mantê-lo sob controle.
 
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